quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Uso fruto

Você pra mim é como uma par de galochas.
Como papel toalha, como pires embaixo da xícara.

É aquela coisa que tá ali e você acaba achando que é auxiliar. Aí um dia você percebe que é fundamental. Que além disso serve pra muito mais coisas do que você tinha imaginado.
Depois você cria o costume e quando percebe já gosta tanto que não é mais costume.

Já viu a falta que um par de galochas faz? Já usou galochas na chuva? Galochas são incríveis. Você não será a mesma pessoa depois das galochas.

Você pra mim é como aquele tipo de objeto que a gente quando usa fica grato por quem inventou.

Já percebeu a capacidade de absorção do papel toalha?
Ele limpa até espelho sem deixar pelinhos ou se desfazer, limpa as mãos, suga o óleo das coisas que a gente acabou de fritar. Seca lagrimas!
Já secou lágrimas com papel toalha? Até aquelas que saem pelo nariz? Um pedaço dura muito e resiste sem fazer a gente espirrar. Você definitivamente não será a mesma pessoa depois do papel toalha.

Tem aquelas coisas que são bonitas, bem feitas e até caras, que a gente tem, mas fica meio assim por não usar sempre. Aí um dia você percebe que dá pra usar de outro jeito e que aquilo é ouro, que é muito mais que bonito, caro ou bem feito.

Tinha um pires em casa, lindo , ganhei de uma amiga, ou achei numa loja de louças, não lembro bem, lindo.
Ele apoiava a colher, protegia a xícara, essas coisas que pires costumam fazer. Já era ótimo, dava pra comer em cima sem sujar o sofá com migalhas.
Um dia acabou a luz.
Já percebeu como o pires protege a gente quando acaba a luz?
A gente fica eternamente grata pelo pires.
Ele media a nossa relação com a vela, com o caminho, com a luz.

Sou grata a quem te inventou, sou grata a quem inventou o papel toalha, o pires e as galochas pra eu poder comparar com você.
Sou grata a essas coisas que a humanidade mesmo sendo humanidade é capaz de criar.

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