sexta-feira, 23 de junho de 2017

Ainda no limbo

No céu vazio, em branco
na rua escura e deserta,
em todas as imagens possíveis,


Na solidão de carregar comigo a semente,
no que vai brotar e nem vai ser flor sua

Em cada palpite que eu aguento sozinha,
em cada azia que me amarga a boca,
em todo sonho onde você ainda me sorri.

nas caminhadas rápidas e escondidas,
no medo de alguém me ver,
no medo de você me ver,
na vergonha de não ser mais paisagem nem vestido de maravilha nua.

Na ausência merecida pelo meu desleixo,
no canto onde só sou sumida,
na sua felicidade que só existe se eu não existir.

Nem eu, nem ela.

Morar no entre,
no ventre,
na disposição em refazer toda a vida
e ser refeita por ela.

Como se eu tivesse acordado num sonho, vi que era sonho e não consegui acordar de verdade, aí eu fico presa sem poder me mexer nem falar, tento sair mas o limbo me prende e eu fico angustiada.

Li na internet que se a gente relaxa o sonho começa a tomar a gente, os movimentos voltam e a gente acaba acordando.

Tomara que funcione.