domingo, 6 de março de 2011

A onda.

É o auge e é assustador
não por ser desconhecido,
por ser alto,
por ser o cume
É o ápice. É o topo.
E depois dele o que vem é inferior.
O medo é do depois,
o medo é do que acabo descobrindo ao descer.
Me elevo ao máximo e parte do que me faz subir é a crença de que realmente subirei,
de que estou subindo,
de que mereço isso.

O topo já me encantou.
Da primeira vez não deu medo,
me fez bem.
Todos acreditaram de tanto que eu mesma acreditava..rs..
Caí... Levantei... Olhei em frente e fui em direção ao topo.
Na verdade não há como não viver em busca dele.
Viverei de quê se não da busca incessante de uma superioridade.

Ouvi dizer que quanto mais perto do céus se chega, mais forte é a força que te puxa para as trevas.
Deve ser só isso então.

Não que esse céu e essas trevas sejam o que elas representam, falo de partes do ser. Nada de superior. A crise é interna.
Estamos sempre tendo de lidar com nossos monstros.
Quando nos sentimos perfeitos, quando está tudo indo bem, é quando nos deparamos com uma parte esquecida que ainda está dentro de nós.

Tem gente que vive dessa parte.
Eu tento não viver.
Se ela aparece as marcas são fortes.
As novas que acabar de deixar e todas as outras, de todos os antigos encontros.

Já viu um tsuname?
Antes de uma onda gigante tomar a praia, segundos antes, essa onda puxa toda a água da beira do mar pra si e depois joga tudo de volta. Joga a água que acabara de puxar e todo o resto. Não, não é todo o resto, mas é muita água.
É tipo isso.
O topo vem só pra mostrar em seguida que não há topo, ou vale, ou nada que seja eterno.
Ele vem, é sempre esperado e vem. Depois ele vai. Mas volta.
E é assim.
E eu até gosto. Mas tenho medo.

2 comentários:

  1. É impossível não viver em busca de algo melhor.
    A questão se torna de perspectiva. Quer exemplos?
    E se o que possui ondas forem os dias? Aí cada dia tem seu ápice. É, evidentemente difícil de mensurar, mas infinitamente mais fácil do que mensurar pessoas. E se formos questionar os critérios, fica ainda mais difícil responder.

    Ou talvez busquemos um ápice na vida, mas aí o que se busca é o cume do eu e, para o bem ou para o mal, pelo prório caráter da busca, é um bem inatingível. Ou diariamente atingível.

    Você pode chegar mais perto do céu e então olhar para baixo e ver as trevas.

    E cair do céu.

    E errar na queda.

    E, por conseguinte, voar.

    Mas há o medo de errar. Desse ângulo, o medo não é nada menos do que o próprio monstro. E o monstro, não é mais do que um jogo de sombras feito para assustar, mas quando o lume dissipa o breu, o que sobra dele?

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  2. Seus textos conseguem transmitir coragem suficiente para mergulhar de cabeça contra um tsunami, sem medo do que poderia acontecer...
    Estou adorando!

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