segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Novos ares

Vêm trazendo coisas novas,
mudando tudo que há,
revirando nossas covas,
gritando o que virá

Nossa vida tem mais cor,
minto, não é bem assim,
na verdade a cor mudou,
inflamou dentro de mim

o que antes era anil
hoje é forte escarlate,
pende para o estopim,
sentimento que maltrate

claro está tudo aí,
não é difícil de ler,
representação fatal
de um nítido viver

esses sentimentos vão,
pulam todos para o ar
e a forma de deter
é em letras transpassar

perdão por expor também
quem comigo vive aqui
dentro desse querer bem
que eu mostro para ti.

2 comentários:

  1. Realmente ficou bem forte...
    Curioso usar a composição como válvula de escape. Ou ao menos parece ser, como uma espécie de mecanismo para se livrar de um sentimento sufocante, que parece esmagar o peito e não deixar espaço para mais nada, tampouco respirar.
    Fica belo, mas há um custo que pode ser muito alto... Aquilo que escrevemos, é eternizado e passa a ser uma companhia com a qual temos que conviver, ao invés do agradável esquecimento que parece ser tão salutar, nesses casos.

    Talvez sejamos masoquistas, afinal. Ou talvez queiramos apenas ficar mais fortes, confrontando nossos sentimentos mais fortes, a fim de vencê-los, ou aprender a lidar com eles.

    Você se sente presa. A própria forma em que enquadrou sua poesia demonstra isso. Talvez por isso ela tenha saído tão forte. É muita coisa que você quer expressar e está represada numa métrica que não tem nenhum motivo para existir, exceto o das convenções, ou o da praticidade de não se desafiar.

    Desculpe, estou sendo muito crítico. Gosto de ficar enxergando, ou inventando significados para coisas que existem, quem sabe, apenas para serem contempladas, belas como são.

    Por outro lado, se eu fizesse isso com sua poesia, teria que fazer o mesmo com você. Contemplar à distância, sem me envolver. Em ambos os casos, a perda parece incalculável.

    Divaguei demais? Desculpe, não fiz por mal.

    Te adoro! Beijos!

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