quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Exposta

Olha, pra quem nunca tinha se sentido assim eu to me saindo muito bem.

Quase não bebi,
ainda não me droguei,
álcool não conta, né?
Não conta na minha lei...

Tem as pessoas,
ah.. tem as pessoas.
Isso é sempre uma questão,
to passando umas boas.

E as músicas, isso é outra,
parece mentira, mas tudo é motivo,
até as que eu ouço pra chorar são suas,
em tudo estas tão vivo.

As ausencias, as penitencias, todas as minhas carências.
Eu nem ia mais escrever pra não ser cafona,
tudo que sai de mim é lamento,
Eu queria manter as aparências,
não queria que tudo isso viesse a tona.

Eu estava até a semana passada achando que tava tudo bem.
Essa semana eu já aceitei.
semana que vem eu ja superei
e na outra eu volto a chorar.

Não to valendo um vintém,
nem conheço o lugar onde me coloquei,
por mais que eu diga que melhorei
Eu volto a te procurar.

Já nem faz sentido te esconder nos meus versos,
é tudo sobre você, mesmo,
eu aqui andando a esmo,
tentando rimar sem dar pala,
sem expor minha ferida,
abraçando geral pra me sentir querida,
rondando na espreita, espiando sua vida,
Uma coitada vazia
que ri e quase acredita nessa fantasia.

Esse verso é pra sangrar,
pra expurgar,
pra me fazer parar de pensar,
pra deixar toda essa água rolar.

Tô trabalhando pra mais um dia não ser freguês,
se der ruim eu continuo pondo a culpa em 2016...

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Poema pra celebrar a gente

Eu faria um poema com milhares de versos para você ler
pra me decifrar,
pra não me esquecer.

Eu viajaria a pé,
Não, pera.. Já viajei.

Eu tomaria café a noite,
eu não me secaria depois do banho,
eu não colocaria acentos e nem virgulas em todos os meus textos...

Eu colocaria uma jaqueta com uma blusa de mangas compridas por baixo, eu nem puxaria as mangas, eu deixaria tudo embolar no braço. Eu passaria o dia todo assim.

Eu cantaria Segundo Sol no tom mais alto, no microfone com o volume mais alto, no prédio mais alto...

Eu comeria batata doce, com maçã verde, com pera dura, com mandioquinha, com nata de leite.

Eu passaria rímel, delineador, lápis de olho e depois esqueceria, eu ia bocejar, eu ia esfregar os olhos e eu nem me importaria, eu ficaria com a cara toda borrada.

Eu veria meu esmalte descascar sozinho, eu não tiraria nenhuma lasca, eu não passaria acetona. Eu ia ignorar.

Eu faria de tudo pra parar com esse caos... Mas ele não para e fazer tudo isso só ia deixar as coisas mais difíceis.
Bem mais difíceis.. rs.

Eu cheguei a acreditar que tava tudo bem. Na maioria das vezes eu tenho certeza, até lembrar que não está e ter que segurar o choro em público. Que sensação terrível...

Eu acabei de reparar que esse poema que começa com eu, no meio tem eu e acaba com eu. Acaba com eu.

Eu sei que é questão de tempo, mas o tempo não costuma estar a meu favor.

Sem querer querendo, querendo não querer eu vou e volto nas suas fotos, nos vídeos, no sonhos, nos beijos, nos toques. As noites, as tardes, as vontades e as coisas que eu só comecei a rezar por causa de você. Que bosta. de costas , de frente, de lado, de cima, de baixo, baixinho, gritando. Quantas vezes a gente se perdia num mar de braço e perna e boca e nós.

Esse poema é pra celebrar a vida. Esse poema nem sei se dá pra chamar assim. Esse poema e pra lembrar que não foi um erro, que foi coisa boa. Esse poema é pra eu conseguir seguir.

Por agora, você em mim vai ser só esse poema.