terça-feira, 29 de março de 2011

Sem cor

Sabe quando você joga um líquido numa superficie lisa, tão lisa que esse líquido não adere e começa a se separar em gotas?..enfim, eu vou procurar uma imagem assim, por que eu não consegui explicar muito bem.

Então, imagina agora que as gotas são de tinta.
É muito chato tentar pintar um material que não é aderente, né?..a tinta não fixa, você tenta deixar tudo colorido e não fica.
Você tenta usar outros pincéis, você tenta usar outras cores...Não fica!
Você começa a derramar muita tinta pra deixar a coisa colorida por igual e simplesmente ela se recusa a colorir, ou ela fica lá do geito dela, meia bomba...
Ah!
Se não for a tinta certa nunca vai ficar colorido. Vai sempre ficar cinza.
Dá pra fazer poros ou ranhuras na superfície também, aí você deixa a  cor entrar e penetrar mesmo, mas isso dá trabalho e na verdade, isso gera uma porção de outras dores de cabeça.
Mas você não quer ter que lixar ou fazer novas cicatrizes. Você só quer que tudo fique mais colorido.
Sem mudar a superfície, para colorir, só usando outra tinta.
Sempre tem uma tinta certa também. Uma que só de por de leve já fica e deixa tudo mais bonito.
É, sabe o quie dá mais raiva?..Saber que você tinha essa tinta guardada e acabou jogando fora por não achar que fosse tão importante pra sua arte.
Bem feito, agora fica aí sem cor!

domingo, 27 de março de 2011

Ofusca, fisga e fere.

A vida ainda seguia depois da tempestade
e era hora de encarar a nova realidade
tudo estava meio novo e diferente
mas os ares que sopravam
deixavam o passado mais presente

o fato foi se consumando
e de repente não era mais
de uma forma ou de outra
ia ter de ficar para trás

e num momento inesperado
cheio de superação
surgiu no meio escuro
uma ponta de iluminação

Luz daquelas que doem os olhos,
luz que ofusca e fisga fundo,
luz que é lume e também é breu,
luz que confunde Deus e o mundo.

O mundo ainda gira,
as coisas se encaminham
e o passado, se não é mais passado,
continua a influenciar.
A gente sempre pira,
mas pedras nos ensinam
que se elas estão na passagem
é porque a gente é quem tem que as tirar.

segunda-feira, 21 de março de 2011

De olhos bem fechados

Ela estava radiante naquela noite, ou melhor, naquele dia todo.
Ela sempre estava radiante para ele.
Ela o viu e sorriu como sempre fazia. Sorriu um daqueles sorrisos que nos chamam pra sorrir com eles.
Ele sorriu, claro.
Ela foi e se perdeu no meio do mar de gente, mas eles logo se encontraram, eles sempre acabavam se cruzando, como algo que os puxassem pra perto um do outro.Quando ele a viu de novo estava tudo diferente. Ela mais brilhante e ele mais corajoso. Depois de toda a história e de todas as conversas racionais sobre um assunto tão irracional, depois de tudo, ele não podia mais aguentar. Ela não percebe que tudo o que acontece dentro dele só o faz ter mais certeza que o a chave do cofre, que a resposta para as perguntas e todas as metáforas da vida dele estão dentro dela, sob domínio dela e só ela pode liberá-lo dessa masmorra?...Não dava pra só facilitar e aceitar logo tudo? Sem jogo de gato e rato, sem lágrimas e desculpas, sem mentiras nem medos. Era só ela facilitar.
O pior é que o sorriso que era bonito ás 00:30 continuou bonito ás 02:00 e as 04:00 e até o fim da noite. Era mal, era egoísta, mas ainda era bonito, talvez o mais bonito, talvez só mais um, mas era mais um que não o deixava partir, que o fazia sempre se meter novamente naquele beco.
Talvez ela também não fosse ruim e nem egoísta, mas de fato não aceitava o que pra ele era simples: Amor!
Ah..a noite foi dificil..depois daí não tinha muito o que se comemorar. Ela foi dormir pensativa. Por que raios ele dizia coisas com as quais eles dois ja tinham prometido não mais mexer? Não fazia sentido. Pensando assim caiu no sono.
Não era justo, ela não conseguia aceitar o óbvio e quem passava as noites em claro era ele.
Ele se conformou e acabou dormindo também, do outro lado da cidade, como ela queria. Ele sabia que ainda ia abrir os olhos dela qualquer dia desses.

sábado, 12 de março de 2011

Facho de Luz.



Um facho de luz.
Um que traria a tona todas as cores,
um que mostraria a beleza das flores outra vez,
um que mostraria a beleza dos sorrisos outra vez,
um que mostraria a beleza dos sotaques e rostos outra vez,
não a beleza óbvia, a outra beleza, aquela,
aquela que ela já conhecia, mas não conseguia lembrar direito
Só um facho de luz.
 Luz da vida. Luz Lua ou de qualquer outro astro.
Foi isso que ela pediu antes de dormir,
e quando acordou, e quando viu uma estrela,
e quando derramou a lágrima e...
Ela não pedia, ela achava que não era coisa que se pedir.
Deus devia ter coisa mais importante pra fazer.
Ela mesma tinha.
Mas o coração dela pedia!..e nem pra ela pedir logo pra ele ficar mais aliviado..
Não. Ela não ia pedir.
Ele ia ter que aparecer. Sem avisar. E ofuscar os olhos dela.
Tá, agora só faltava ela tirar os óculos escuros...

domingo, 6 de março de 2011

A onda.

É o auge e é assustador
não por ser desconhecido,
por ser alto,
por ser o cume
É o ápice. É o topo.
E depois dele o que vem é inferior.
O medo é do depois,
o medo é do que acabo descobrindo ao descer.
Me elevo ao máximo e parte do que me faz subir é a crença de que realmente subirei,
de que estou subindo,
de que mereço isso.

O topo já me encantou.
Da primeira vez não deu medo,
me fez bem.
Todos acreditaram de tanto que eu mesma acreditava..rs..
Caí... Levantei... Olhei em frente e fui em direção ao topo.
Na verdade não há como não viver em busca dele.
Viverei de quê se não da busca incessante de uma superioridade.

Ouvi dizer que quanto mais perto do céus se chega, mais forte é a força que te puxa para as trevas.
Deve ser só isso então.

Não que esse céu e essas trevas sejam o que elas representam, falo de partes do ser. Nada de superior. A crise é interna.
Estamos sempre tendo de lidar com nossos monstros.
Quando nos sentimos perfeitos, quando está tudo indo bem, é quando nos deparamos com uma parte esquecida que ainda está dentro de nós.

Tem gente que vive dessa parte.
Eu tento não viver.
Se ela aparece as marcas são fortes.
As novas que acabar de deixar e todas as outras, de todos os antigos encontros.

Já viu um tsuname?
Antes de uma onda gigante tomar a praia, segundos antes, essa onda puxa toda a água da beira do mar pra si e depois joga tudo de volta. Joga a água que acabara de puxar e todo o resto. Não, não é todo o resto, mas é muita água.
É tipo isso.
O topo vem só pra mostrar em seguida que não há topo, ou vale, ou nada que seja eterno.
Ele vem, é sempre esperado e vem. Depois ele vai. Mas volta.
E é assim.
E eu até gosto. Mas tenho medo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Depois que ela se foi

Foi conversado, foi acordado, foi consciente.
Os dois sabiam em que se meteriam daí pra frente.
Ia ter choro, peito apertado e lembrança insistente.
Ia dar medo, ia dar raiva e deixar descontente.

Mas foi assim. Tinha de ser. Ou era isso que eles pensavam.
E o pior é que depois que ela se foi e parou e pensou..Ele sabia que não ia ser mais fácil, nunca é fácil, de jeito nenhum, nem desse nem de outro. Porque é amor.

Ele sabia que ela encantava as pessoas, ele lembrava de quando foi fisgado, ele sabia que o jeito que era dela, só dela e de fato dela ia encantar outros corações... E ele que nunca entendeu direito o porquê de ser seu escolhido, que sempre imaginava qual seria a lógica das escolhas dela, que só agradecia por tê-la por perto não conseguia imaginar se ela se encantaria por outro alguém.
Ele sofria. Na verdade ele sabia. Ela sempre amava tudo. Ela sempre dava uma chance para que se mostrasse o lado bom.
Droga! ela já devia estar pronta para mostrar todo seu mundo para outro coração, assim como tinha feito tantas outras vezes, e como em todas ela se retiraria no melhor do jogo, para mostrar que o que é bom dura pouco. Ai ai..era sempre assim. Era por pouco tempo. Havia muitos apaixonados. Ela nunca se entregava.
É...é melhor partir pra outra. Acabou de um jeito torto mesmo. Ela já nem queria mais. Ela estava tão bem consigo mesma e nem fazia sentido insistir.
E ele pensou assim depois que ela se foi. Depois dela chegar e revirar tudo da noite pro dia. Depois de causar uma chaga num peito que só queria o bem. Ela era uma megéra. Ela nem merecia uma chance. Ela nem devia querer uma chance.

Depois que ela se foi ele pensou que o melhor era deixar o tempo levá-la para longe, ou para um lugar onde ele não a pudesse ver com tanta frequência. E foi assim que ele fez.

Ele só se esqueceu que ela não era ELA, era só ela. Uma menina que também sofreu, que tentou sorrir, que sentiu culpa. Ela estava lá. Também sentia ciúme de toda magia que estava a volta dele e que poderia encantar qualquer coração.
Ela sentiu saudades. Tentou se comunicar. Ela vivia um mundo novo, mas sempre com um pé na lembrança.

No fim, depois que ela se foi ficou CLARA a situação.
Um longe do outro sem muita explicação.



Tive um sonho...pensei nisso. Escrevi.
Espero que gostem.

Paz, Amor e Positividade.♥